A partir do último encontro presencial da sociologia (curso à distância), tenho uma questão que me angustia...
Já dizia a professora Sônia Sette, "software é software, educativo somos nós" (apud Vieira). Se compreendermos assim, blogs são blogs, o uso pedagógico somos nós que criamos junto dos educandos. Contudo há algo além do processo cognitivo que se imbrica no campo pedagógico, há uma dimensão psíquica na interação presencial ou mediada por computador.
Como ela vem sendo tratada nos cursos à distância e nas nossas aulas?
Uma simples frase de um tutor à distância pode trazer à tona sentimentos escondidos, criar desafetos, antipatias, interpretações mal feitas... Como nos damos conta disso? A resposta é simples, nem ficamos sabendo! Essa dimensão afetiva em geral vem sendo desconsiderada, poderia dizer que é ignorada pelo tutor e professor, que podem esquecer-se que do outro lado da tela existe um ser humano, com sentimentos, problemas, frustrações e que muitas vezes é mal interpretado, ou sequer escutado.
Essa insensibilidade ou até mesmo invisibilidade para com nossos educandos precisa ser superada, sejam eles adultos ou crianças.
Na graduação inicial, eu tinha uma colega que não se aproximava do computador, enfim, por mais que o grupo ajudasse, conversasse, ela não superava o distanciamento. Chegou o momento de fazer uma disciplina à distância, obrigatória no curso... Que sufoco! Imposição atrás de imposição, resultado: não usa até o hoje essa tecnologia com seus alunos, simplesmente porque não foi trabalhado ou pensado a causa do distanciamento (dimensão psíquica). De que adiantou a disciplina? Para afastá-la ainda mais da interação via pc.
Na graduação atual, vi colegas magoadas com tutores, porque elas, apesar de interagirem pelo computador, possuem sentimentos. Neste caso, escritas rápidas, mal pensadas e formuladas, são traduzidas de forma distinta da objetivada pelo emissor. A partir de então, ambos tutor e aluno passam a se relacionar com desafeto, não obstante o trabalho extraordinário de ambos... Trabalho extraordinário, digo, no campo conceitual, mas no campo da interação humana? Da sensibilidade para com os alunos e colegas de trabalho?
De que modo acompanhar esses movimentos sutis como nossos alunos cujo resultado pode ser tão catastrófico? Principalmente, quando nosso único modo de interagir se dá através do pc?
Referência:
VIEIRA, F. M. Avaliação de software educativo: Reflexões para uma análise criteriosa. Disponível: aqui. Acesso em: 20 mai. 2010.
domingo, 23 de maio de 2010
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Colega Ariane...
ResponderExcluirO que comentas, percebo diariamente como professor da EAD. Ilustrando, esta semana uma aluna entrou em contato para dizer que não estava conseguindo acompanhar as aulas por que estava com câncer. Não há nada que substitua o presencial, isto é fato.
Mas como já estamos vivenciando a EAD, talvez necessitamos de uma "humanização dos envolvidos", principalmente tutores e professores. Percebo que as palavras digitadas possuem significados ambíguos, que muitas vezes são mal interpretadas, embora não sejam mal intencionadas.
Eu acredito, realmente, que necessitamos de cursos não para lidar somente com o computador, mas de cursos que ensinem as pessoas a escrever a se relacionar, a pensar que por detrás da máquina existem pessoas.
Como as seleções de tutores e professores é realizada muitas vezes pela análise de currículo, não encontramos nele algo do tipo:
"É afável, atencioso, calmo, no tratamento com as pessoas", assim, corremos o risco de nos magoarmos com respostas mais ríspidas.